Ana Isabel Fontoura Oliveira
O Padre Nosso.
Ana Isabel Fontoura de Oliveira
Faz parte do nosso cotidiano: ambrosia, cães, futebol e crer em religiões monoteístas que regem a maior parte do mundo. Além do mais, o que havia de comum entre Jorge Bergoglio e nós? O que víamos de tão pessoal por trás da indumentária do papa que enternecia olhares por onde percorria?
Talvez fosse o pulsar de vida e a certeza serena que algo pode vir depois da finitude. Quem sabe a confissão pública que errou com suas ovelhas em uma Argentina que agonizava entre o sangue e a delação, e, se os anos retrocedessem, teria feito escolhas diferentes daquelas que fizera naquele período de trevas. Poucas lideranças tem a coragem de admitir erros pregressos.
Franciscano na mais pura essência o papa rejeitou carros de luxo, grifes famosas e os adornos de luxo da Santa Sé. Falecido na Pascoa Cristã, na qual a vida se renova, ele fechou um elo de revitalização em sopros de humildade, assim como o pescador que fundou a Igreja Romana. Trouxe novas reflexões sobre os êxodos humanos e os muros que construímos dentro e fora de nós mesmos.
Francisco não se omitiu: dissecou as feridas da Igreja ao investigar bancos do Vaticano e indiciar padres pedófilos; criticou as grandes potências mundiais na defesa dos que nada possuíam. Párocos foram convocados para atender aos fiéis além dos templos. Rejeitou a monarquia eclesiástica e o ouro das catedrais romanas.
O mundo que o santo padre deixou ainda tremula com guerras, xenofobias, diásporas humanas e desastres ambientais; segue um rito caótico de perplexidade e incertezas. O sumo pontífice deixou-nos com um sentimento de orfandade, temor e hesitação diante do que virá de Roma.
A Terra espera que ao emanar as fumaças brancas do Vaticano a luz da fraternidade humana sobreviva, mesmo sem a presença física de Francisco e que possamos usufruir seu imenso legado e, caso haja um reino divino além daqui, falaremos em coro:
- Gracias Francisco
Salvador , 23 de abril de 2025